Autor: Bruna Ferrari Schedenffeldt
Data: Outubro de 2025
Palavras-chave: Biologia, Genética, Insulina-Vegetal, Morfologia, Taxonomia.
A ocorrência de Cissus verticillata em pomares de citros tem gerado preocupação entre produtores do Noroeste paulista. avaliar características morfológicas, genéticas e de estabelecimento de acessos de C. verticillata, bem como identificar estratégias eficazes para seu manejo em citros. Para isso, foram definidos os seguintes objetivos específicos: a) Comparar diferenças morfológicas e na superfície foliar entre acessos; b) Avaliar a similaridade genética dos acessos e inferir relações filogenéticas com plantas previamente sequenciadas e identificadas do gênero Cissus no GenBank; c) Quantificar a produção de cera por plantas dos diferentes acessos; d) Determinar condições ambientais que favorecem a germinação e estabelecimento da espécie, incluindo temperatura, qualidade de luz e profundidade de semeadura; e) Avaliar a eficácia de herbicidas pós-emergentes registrados na cultura de citros para o controle em estágios iniciais da planta.Foram estudados quatro acessos: (1) Olímpia – Fazenda Rio Cortado, (2) Getulina – Fazenda Tangará, (3) Jaboticabal – UNESP/FCAV e (4) Olímpia – Fazenda Bela Vista. Realizaramse descrições morfológicas e análises da superfície foliar por microscopia eletrônica de varredura (MEV), considerando densidade estomática, tricomas e padrões epidérmicos. O sequenciamento genético foi conduzido com marcadores cloroplastidiais (rps16, trnL-F) e nuclear (ITS), seguido de análises filogenéticas Bayesianas e Máxima Verossimilhança e estimativa de distâncias genéticas par a par. A produção de cera epicuticular foi quantificada entre os acessos por meio de extração com clorofórmio, expressa em µg cm?² de área foliar e em gramas por massa fresca das folhas. Ensaios independentes de germinação foram realizados em delineamento inteiramente casualizado (DIC), avaliando temperaturas constantes e alternadas (T1 - 25, T2 - 30, T3 - 30/35 e T4- 35 °C), diferentes qualidades de luz (T1-vermelha (590-630nm), T2-azul (440-450nm), T3-verde (520-530nm), T4-branca (440-495nm) e T5-ausência de luz (0nm)) e profundidades de semeadura (T1 - 1, T2 - 3, T3 - 5, T4 - 7 e T5 -10 cm), todos com cinco repetições. Por fim, testou-se o controle químico da espécie com herbicidas pós-emergentes registrados para citros, em DIC, com oito tratamentos e cinco repetições: saflufenacil (70 g i.a. ha?¹), tiafenacil (118,65 g i.a. ha?¹), carfentrazone (50 g i.a. ha?¹), glifosato (2160 g i.a. ha?¹), glufosinato de amônio (400 g i.a. ha?¹), diquat (500 g i.a. ha?¹), chlorimuron (20 g i.a. ha?¹) e testemunha sem aplicação, aplicados em dois estádios fenológicos (4–6 folhas e 26–28 folhas). Dessa forma, os acessos de C. verticillata não apresentaram diferenças significativas em características morfológicas, com variáveis como altura, diâmetro do caule e área foliar variando de 153–220 cm, 0,34–0,48 cm e 13,45–22,00 cm². As análises em MEV apresentaram cutícula estriada e estômatos anomocíticos em ambas as faces, caracterizando C. verticillata como anfiestomática. O acesso 1 apresentou tricomas tectores nas margens foliares; o acesso 3, tricomas glandulares multicelulares na face adaxial e tectores nas margens; enquanto os acessos 2 e 4 não exibiram tricomas. A densidade estomática variou de 34,43 a 461,67 estômatos/mm², com o acesso 3 apresentando o maior valor (face abaxial) e o acesso 1 os menores (adaxial e abaxial). Quanto às análises filogenéticas, os marcadores do cloroplasto revelaram alta similaridade genética entre os acessos (d = 0,0000), sendo confirmados como pertencentes ao complexo C. verticillata nos marcadores trnLF e rps16. Apenas o acesso 3 mostrou discreta diferenciação em relação aos demais, indicando diversidade entre populações, enquanto o ITS indicou leve variação intraespecífica (d = 0,00678–0,02865). As análises filogenéticas do ITS posicionaram todos os acessos dentro do complexo C. verticillata, demonstrando monofilia entre os acessos estudados, mas polifilia dentro do gênero Cissus. Na análise de cera foliar, o acesso 3 apresentou a maior concentração (235,29 µg/cm² e 7871,84 µg/g de massa fresca), diferindo significativamente dos demais. Já os acessos 1, 2 e 4 não diferiram entre si, com valores médios variando entre 95 e 128 µg/cm². A germinação de C. verticillata foi influenciada pela qualidade da luz, temperatura e profundidade de semeadura. A luz vermelha promoveu maior velocidade de germinação, enquanto a luz branca resultou na maior porcentagem final; a luz azul estimulou o início do processo, mas sem incremento posterior. A germinação também ocorreu no escuro, embora em menor intensidade. Em relação à temperatura, condições de 30/35 °C e 35 °C favoreceram maiores taxas e velocidades de germinação, enquanto 25 °C resultou no menor desempenho. Quanto à profundidade, a emergência foi restrita às camadas superficiais, com melhor resposta a 1 cm, redução a 3 cm e ausência de plântulas em profundidades maiores, indicando limitação do estabelecimento inicial. Por fim, o controle de C. verticillata foi mais eficiente em plantas jovens (4–6 folhas), com carfentrazone, tiafenacil e diquat alcançando >80?eficácia, enquanto glifosato, glufosinato e chlorimuron apresentaram ~50% e saflufenacil <10%. Em plantas mais desenvolvidas (26–28 folhas), apenas diquat e tiafenacil mantiveram controle elevado (90?0%, respectivamente), enquanto os demais herbicidas tiveram baixa eficácia, refletindo-se também nos parâmetros biométricos avaliados. Conclui-se que não foram observadas diferenças nas características morfológicas entre os acessos, enquanto as análises filogenéticas revelaram divergências entre eles. A germinação da espécie é favorecida por temperaturas elevadas e camadas superficiais do solo, e o controle químico pós-emergência foi mais eficaz em plantas jovens com carfentrazone, tiafenacil e diquat, sendo que em plantas com 26-28 folhas apenas diquat e tiafenacil mantiveram controle elevado.